As Máscaras da Pandemia

 

 

Somos movidos pelo corpo. Sem ele, grande parte da nossa forma de comunicação se torna vaga e imprecisa. E é por meio de uma intensa sincronização do corpo e dos afetos que a interação humana se concretiza.

 

Somos também movidos pelo olhar e pelos gestos. Afinal, os olhos são a janela da alma. Contudo, com a pandemia e o distanciamento social, vieram as máscaras. Não imaginávamos circular assim, sem ao menos constatar um sorriso ou outra expressão que possa denotar claramente a intenção do outro. Com as máscaras, passamos a focar nos olhos e a valorizar a grandeza de um olhar.

 

Mas será que os olhos conseguem englobar o que os lábios estão impedidos de demonstrar? Em uma sessão de análise, um paciente me disse: "você poderia tirar sua máscara nesse momento para que eu te veja!" Havia um sorriso por detrás daquele pano protetor mas não estava visível e, por estar encoberto, não garantiu toda a expressividade contida nas palavras que eu dizia ao paciente. 

 

A importância do olhar desde o início da vida

É com os olhos que buscamos, desde pequenos, o aconchego seguro da mãe e assim, nos localizamos em um mundo repleto de objetos. Todavia, aprendemos também, desde os primórdios, que o valor do sorriso encanta e unifica corpo e psique. É o conjunto dos movimentos maternos que vão dando o contorno e o entorno do mundo, o reconhecimento da existência do outro e a existência de si mesmo.

 

É um caminho contínuo de amadurecimento que se converge na socialização e na comunicação com a realidade, com os grupos sociais, enfim, com a cultura. E tudo começa com o olhar.

 

O Pediatra e Psicanalista Donald W.Winnicott descreveu de maneira brilhante o impacto do olhar na constituição de nossa identidade. O que o pequenino vê quando olha para o rosto de sua mãe? Segundo Winnicott, vê ele mesmo. O que transparece no olhar da mãe é, na verdade, sua visão do bebê. E ser visto pelo olhar da mãe é fundamental para nosso sentimento de existir: Sou visto, logo existo, afirma o Psicanalista.

 

Portanto, o que nos resta é praticar a arte de olhar e de recriar formas de contato que permitam que nossos olhos "digam" aquilo que as máscaras são capazes de esconder.

Como você tem feito? Como tem superado a barreira da máscara?

 

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo/Psicanalista - Ciclos Espaço Terapêutico

 

 

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