Dedos no gatilho

Foi na década de 1920 que Sigmund Freud, impactado pelos horrores da primeira guerra mundial, concluiu que a psique humana não buscava somente o prazer pelas vias da sexualidade. Entendamos aqui a sexualidade sob a ótica dos afetos, do desejo, das fantasias, e não sob o olhar da genitalidade.

 

Para o pai da Psicanálise, nós também buscamos na agressividade e na violência fontes de gozo e prazer. Entretanto, a cultura nos impõe restrições para essa realização, o que determina muitas direções para nossos sintomas.

 

Alguns sublimam essa violência e são capazes de reativá-la em outro âmbito de vida (nos esportes ou nas atividades artísticas por exemplo). Outros desenvolvem quadros clínicos como fobias e depressões para darem vazão aos comportamentos agressivos.

 

Também há aqueles que ultrapassam esses limites e praticamente se submetem ao imperativo da violência sem qualquer forma defensiva, deixando circular livremente uma força pulsional iminentemente destrutiva.

 

Nesse caso, inexiste aquele ínfimo espaço de tempo de hesitação e bom senso que nosso Ego necessita para distinguir o que realmente precisa ser feito em determinada situação.

 

Freud chamou esse fluxo de energia psíquica destrutiva de pulsão de morte, cujo principal objetivo seria promover qualquer ação de desligamento intrapsíquico ou extrapsíquico. É pelas vias da pulsão de morte que o gatilho é apertado sem dó e as oitenta balas vão direto ao alvo equivocado.

 

E é pelas vias da pulsão de morte descabida que o verbo alvejar vai além de 'acertar o alvo' e confunde-se com branquear, com uma prática social higienista. Quando não existe hesitação alguma na prática do mal, podemos dizer que o mal se banalizou, não havendo qualquer forma de mediação simbólica que o impeça de agir na sua forma mais crua.

 

Como estamos cuidando de nossa pulsão de morte? Como estamos atentos aos destinos da nossa natureza violenta?

 

Ao lembrar o episódio da família que, ao ir para um chá de bebê no Rio de Janeiro foi confundida com marginais pela guarda do exército e teve o carro alvejado por 80 tiros, penso que há muito o que se discutir a respeito do paradoxo que temos vivido. 

 

A mesma sociedade que exige que reprimamos nossa agressividade e a violência é a sociedade que fica de braços cruzados diante de um fato inadmissível como o ocorrido com essa família.

 

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo/Psicanalista - Ciclos Espaço Terapêutico

 

 

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