O tênue “fio” da tolerância

 

 

 

Nos últimos meses, o Brasil vem vivendo momentos de um sofrimento que, particularmente, considero de importantes características psicóticas. Digo dessa maneira porque perdemos a percepção clara dos limites entre o que desejamos e o que os grupos sociais desejam.

 

É um estado de desorientação que nos leva a caminhos difusos e escolhas sem sentido. As eleições desse ano estão literalmente gerando sensações enlouquecedoras, medos e apavoramentos quanto ao futuro do país, e, como efeito desse estado de confusão, agimos sem um retrato claro e preciso do nosso desejo, mesmo nos mantendo, por vezes, fiéis aos nossos ideais.

 

Se pensarmos sob o ponto de vista freudiano, as eleições atingem em cheio o precário processo de identificação com figuras nas quais buscamos algum nível de idealização. Quando investimos no outro, por meio de alguma forma de identificação, construímos uma bússola, um direcionamento de referência àquela figura.

 

Fazemos isso com os pais, amores, chefes, líderes religiosos e, no caso em questão, líderes políticos. Em estruturas familiares nas quais há níveis de identificação e idealização favoráveis, por exemplo, são criadas condições para os membros desenvolverem atributos como o respeito, a admiração, a comparação, o diálogo, dentre outros.

 

Esses delimitadores identificatórios são fundamentais para a que a tolerância à diferença e à capacidade de lidar com as angústias enlouquecedoras sejam firmes. É em momentos como esse que o fio tênue fio da tolerância precisa manter-se cada vez mais firme, ao mesmo tempo em que não pode perder a flexibilidade, pois as discussões em redes sociais online e em outros ambientes sociais são constantes, tensas e, muitas vezes, violentas.

 

A cisão é a tendência inevitável quando nos aprofundamos nessas formas de confronto sem o devido suporte identificatório, ou seja, nossa psique se divide, dissocia, encontra nos extremos a saída da angústia e parte para o ataque, a fim de se defender da desorientação. É um constante deslizamento do sim e do não (Ele sim?, Ele não?), do fora e do dentro, da aprovação e da rejeição.

 

A democracia tem esse dom de nos colocar frente à heterogeneidade e de nos provocar mediante as buscas por soluções que visem a construção de relações sociais e de instituições sólidas e sãs. Mas, para isso, é necessário termos sabedoria e serenidade em um nível que realmente permita essa elaboração.

 

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo/Psicanalista - Ciclos Espaço Terapêutico

 

 

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