Desejo (d)e reconhecimento

 

Somos formados por uma complexa rede de espelhos e refletores. 

 

Contudo, é mais do que simplesmente olhar-se no espelho. É ser visto por outra pessoa, que pode enxergar mais do que o que nós vemos no reflexo, pois ela pode explorar mais ângulos para a observação, mais pontos de vista.

 

Nesse jogo, a imagem do outro se inscreve em nós e a nossa imagem se inscreve nele. Isso significa que a forma como o outro nos "enxerga" é muito importante. E, ultimamente, esse "olhar" ganhou ainda mais relevância. 

 

Entra aí a expectativa de aceitação pelo outro, o que está atrelado ao pertencimento (a um certo grupo) e à fuga do desamparo.

 

Assim, em meio a esse anteparo de espelhos, buscamos uma conjunção entre as imagens. Esperamos uma correspondência vinda de outro lugar, isto é, de outra pessoa.

 

Essa expectativa é essencial na busca por sentido, pois o reconhecimento é o ato inicialmente imaginário (por isso, especular) e, posteriormente, simbólico que nos permite estabelecer relações com o outro. Por meio delas, tecemos as diversas formas de compreensão do nosso desejo.

 

Também é importante ressaltar que a forma como vemos o outro e ele nos vê provoca mudanças, tanto em nós quanto nele. Cada feedback (e até a ausência dele) pode desencadear uma série de reações.

 

Passamos a ser como esperamos que seja agradável a quem nos vê. Acreditamos que o reconhecimento amplia os horizontes das nossas realizações.

 

Ocorre que, em função dos vários papeis sociais que desempenhamos (pois somos, ao mesmo tempo, filhos, irmãos, profissionais, colegas de trabalho, amigos, vizinhos etc.), também nos deparamos com as várias expectativas que nossos pais, chefes, amigos etc. têm em relação a nós.

 

Atender todas essas expectativas, sendo um bom filho, um funcionário exemplar, um amigo confiável... enfim, atuar para ser aceito por todos pode se tornar um fardo pesado demais. Muitos se perdem de si mesmos nesse emaranhado de espelhos. A solução seria deixar de lado a busca por aceitação, pelo reconhecimento que nos faz estabelecer relações com os outros?

 

Quando buscamos negar tal reconhecimento, o que podia parecer sadio e geralmente é feito ao se evitar a presença do outro e, consequentemente, a influência que o outro exerce em nós, o reconhecimento se converte no seu negativo: o desconhecimento.

 

Estar nessa condição, de um sujeito que desconhece o outro, traz à tona sentimentos como a arrogância, em que somente nossos feitos são capazez de ser ostentados e admirados. 

 

Então, é possível experimentarmos a onipotência, sentimento baseado no controle e no domínio do outro, e a onisciência, sentimento ligado ao "tudo saber".

 

Mas, ao irmos na direção contrária e entrarmos no terreno do desconhecimento, damos o passo mais curto para o isolamento e o ostracismo. Definitivamente, esse caminho não é a  melhor escolha.

 

Ao mesmo tempo, nesse mundo ambíguo, difuso e, muitas vezes, caótico, é um verdadeiro desafio manter-se na busca pelo reconhecimento sem deixar que a opinião alheia seja a força motriz da sua vida. Encontrar o ponto de equilíbrio é a verdadeira solução. 

 

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo/Psicanalista - Ciclos Espaço Terapêutico

 

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