Quando o filho se torna pai

 

Perdi meu pai assim que completei um ano de idade. Foi há 43 anos. Eu ainda não entendia nada de doenças, de internações em hospitais, de perdas... Eu sequer sabia o que significava ter um pai.

 

Passei a vida sem uma referência sólida dessa figura. Somente imaginava como seria essa relação, ao mesmo tempo em que invejava os amigos que desfrutavam da presença do pai em suas vidas. Na adolescência, houve momentos de muita revolta, de ressentimento, de descrença em Deus.

 

O tempo passou, veio o amadurecimento pessoal, a atividade como psicoterapeuta e a experiência da paternidade. Foi quando pude perceber o quanto essa função é mais complexa do que se imagina. Ser pai hoje é estar diante de uma série de encruzilhadas que envolvem momentos decisivos de renúncia, assim como importantes deveres e responsabilidades.

 

É claro que, muitas vezes, a força dessas exigências imprime ao pai conflitos neuróticos capazes de colocá-lo em sofrimentos terríveis. Há momentos de angústia e impotência, por exemplo, diante do fracasso quando não consegue se sustentar como o provedor familiar.

 

E o desafio paterno passa inevitavelmente pelo desejo da força e do poder. Pai precisa ser assim! Ser forte para sustentar a família, ter poder para tomar as principais decisões e autoridade para impor as regras. É o que dizem... Esse poder fálico, como diria Freud, se torna lei para todo aquele que se coloca nessa função. Mas, qual é o preço que se paga por isso? Seria mesmo tão necessário se apoderar de tanta força?

 

Nos tempos em que vivemos, ser pai não é apenas buscar todo esse poderio fálico ou se imbuir de toda essa responsabilidade sobre a família. O mundo pede pais mais flexíveis, afetuosos, dinâmicos e sensíveis, que sejam capazes de desenvolver habilidades que vão da autoridade assertiva à benevolência necessária.

 

É preciso estar antenado, em equilíbrio com as mudanças do mundo globalizado. Os filhos pedem esse pai que escuta sem indiferença, que está lá quando precisa estar e que sabe quando sua ausência é necessária para o amadurecimento dos filhos.

 

A ausência de meu pai não foi uma escolha. Um problema de saúde o levou quando ele tinha 46 anos de idade. Era novo mas já havia criado quatro filhos. Deixou os mais velhos na casa dos 20 anos. De formação militar, soube impor sua autoridade entre os filhos, mas meu irmão e minhas irmãs contam que ele também sabia ser extremamente doce.

 

É nesse exemplo em que me espelho. Eu, que cresci sem a referência dele e que me tornei pai aos 42 anos, idade em que ele já havia experimentado vários capítulos da vida ao lado de quatro dos cinco filhos. E é com ele que hoje aprendo a ser pai! 

 

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo/Psicanalista - Ciclos Espaço Terapêutico

 

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