Escuta e encontro na Psicanálise


Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, não descobriu a pólvora. Mas, no final do século XIX, ao observar pacientes histéricas que sofriam dos mais diversos sintomas, como contrações musculares, desmaios, convulsões e alucinações, percebeu que nenhuma delas era escutada.

Nos dias de hoje, é cada vez mais raro escutar, até mesmo porque temos desvalorizado nossos potenciais intuitivos. Não damos valor ao nosso olhar inevitavelmente sensível aos detalhes do mundo, nem à percepção olfativa e tátil de cada detalhe que nos faz lembrar e, consequentemente, construir um sentido para aquele momento percebido.

Sim, escutar exige tudo isso. Um conjunto todo do ser humano, o que ultrapassa o pavilhão auditivo e os tímpanos e se estende para um campo de virtualidade com imagens e sons à medida que escutamos. Após isso, a partir das imagens, são construídos cenários. Dos sons, emanam vozes. Personagens e enredos surgem formando, então, a história da vida de um sujeito que, de maneira lógica e não cronológica, vai promovendo um sentido para o escutador.

Que fique claro, depois dessas considerações, que vivemos tempos em que ouvimos com os tímpanos e não escutamos com a alma. Os sintomas psíquicos engrossam cada vez mais as páginas dos compêndios de psiquiatria, classificando o sofrimento em transtornos e aplicando diretrizes diagnósticas para os sintomas. O objetivo claro e específico é ouvir o paciente e extrair dele as chaves para solucionar um quebra-cabeça importantíssimo chamado diagnóstico.

Freud foi preciso em vencer essas barreiras, ao propor que aquelas mulheres, cujo corpo padecia de um sofrimento sem voz, pudessem falar livremente, sem medo, sem preconceito algum, sem qualquer impeditivo moral ou mesmo um controle sobre si mesmas. Ele as deixou livres para falar. Então, algo transformador se revelou: o corpo deixou de ser sede daquilo que não era dito e, por meio da fala, ecoou toda uma rede de simbolismos, fantasias, desejos, sonhos e conteúdos inconscientes.

Evidentemente, os sintomas dessas mulheres melhoraram, outras questões emergiram e foi possível, por meio de uma escuta cuidadosa, tratá-las de maneira humana. Nascia a Psicanálise e, ao atravessar mais de um século de existência como prática clínica, sua força reside não só em seus pressupostos, tão arduamente pesquisados e estudados, mas, principalmente, na força do encontro de duas pessoas.

Mesmo estando definidos os lugares que cada um ocupa (analista e paciente), esse lugar de encontro necessita nutrir-se constantemente da livre associação de pensamentos, sentimentos, gestos, gritos, enfim, é necessária a liberdade de eclosão, no paciente, da ânsia do encontro com seu desejo.

Do outro lado (se é pertinente falar sobre lados, pois creio que seria mais interessante falar sobre compartilhar), fica aquele escuta, o analista, e que faz de maneira flutuante e intuitivamente por cada recôndito consciente e inconsciente que flui daquele encontro. Assim, sua voz também produz no paciente o sentido importante do (re)conhecimento de que aquele momento, e muitos outros que virão, será a mais intensa e memorável aventura de sua vida. Assim caminha o processo analítico.

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo/Psicanalista - Ciclos Espaço Terapêutico

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