Pausar a vida vale a pena?

 

Em praticamente tudo na vida há uma pausa. Nem todo silêncio dura pra sempre. Existe um momento em que o barulho do vento rompe aquele instante que parecia não ter fim.

 

Existe também a pausa na linguagem. Quando falamos, às vezes nem percebemos que somos capturados pela necessidade de 'respirar' uma letra ou mesmo de 'engolir' uma palavra mal encaixada no contexto. É para isso que a embreagem dos veículos serve, para cadenciar a velocidade e harmonizar o movimento, não é?

 

Em nossa existência, sorver a vida e buscar o sentido dela é, muitas vezes, um objetivo cruel. O psiquatra Austríaco Vitor Frankl já dizia que o desespero é o resultado do nosso sofrimento quando não há busca por um sentido. Pois bem, se nos esquecemos de usar uma embreagem na vida, o resultado dessa fórmula é certamente o encontro com o sentimento de desespero. Contudo, sofremos, não encontramos sentido, mas não podemos parar!

 

Não poder parar ou fazer pausas se tornou 'regra'. Mas muitos indivíduos são forçosamente confrontados com alguma pausa ao longo da vida: uma doença o impede de trabalhar, a perda do emprego o impede temporariamente de realizar os sonhos almejados, entre outros motivos.

 

Particularmente, como professor, acompanho muitos alunos que interrompem a formação acadêmica por questões pessoais ou por problemas financeiros. Esta pausa paralisa o desejo e demarca a angústia. Mas como todo verbo indica uma ação, um movimento ou um processo, pausar a realização do desejo para se dedicar a resolver os obstáculos impostos pela vida é, sem dúvida, o mais importante passo para a posterior retomada dos planos interrompidos.

 

Há também a pausa que fica sempre deixada de lado, mas que precisa inevitavelmente da nossa atenção. São os periódicos descansos para aliviar o stress e reorganizar a psique. As atividades de lazer são necessárias para o reequilíbrio das tensões do dia a dia e o ócio [sim!] é um elemento necessário no processo da produtividade.

 

Há também formas de refúgio disfarçadas de pausas mas que, de fato, escondem aspectos dolorosos da psique. Um exemplo ingênuo desse tipo de pausa está na dificuldade que alguns alunos têm para irem às aulas, criando verdadeiras novelas familiares em torno dessa situação. O que dizer então das repetidas interrupções em uma relação amorosa?

 

Há ainda quem se renda ao freio, à parada mais que temporária, à estagnação e, nesse lugar, finca sua raiz depressiva, fazendo da vida uma terra árida e seca. No outro extremo, há indivíduos vorazes e frenéticos, que praticamente recusam a existência do limite e a necessidade de pausas. Essas pessoas exaltam a onipotência do corpo, a saúde mental e, principalmente, a eficácia de suas realizações. Tais atitudes configuram como verdadeiras bombas relógio!

 

Neste cenário em que nossa existência está sempre em xeque, as escolhas, as consequências e a forma como lidamos com tudo isso fazem da experiência de pausa uma 'passagem de cena' fundamental, tão importante que pode mudar todo o roteiro dessa 'peça' chamada vida.

 

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo/Psicanalista - Ciclos Espaço Terapêutico

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