Há vantagens na maternidade tardia?


Desde a década de 1960, com o lançamento da pílula anticoncepcional, o conceito de vida sexual mudou e as mulheres começaram a ter controle sobre a gravidez. Puderam adiar a vida materna o quanto desejaram. Outros avanços incentivaram as mulheres a planejarem seu futuro e a experimentarem o que antes era exclusivo dos homens: investir na carreira profissional.

Mas passadas algumas décadas, muitas mulheres perceberam que os avanços da medicina não garantiriam a todas elas o direito à maternidade. Não foram poucas as que se frustraram ao constatarem que congelar óvulos e recorrer aos mais modernos métodos de reprodução era um recurso falível para várias delas.

Para aquelas que, por meio de inseminação artificial, de fertilização in vitro ou de outro método científico, conseguiram realizar o tardio desejo da maternidade, uma preocupação provavelmente bateu à porta: os riscos para a mãe e para o bebê durante a gestação, além do risco da criança nascer com um problema debilitante.

Outra preocupação comum tem a ver com a criação do(s) filho(s). Enquanto a maioria das amigas e colegas já está perto de ver os filhos na universidade e até mesmo de ser avó, as novas mamães muitas vezes se sentem novamente inferiores por estarem tardiamente vivendo o que outras já conhecem há pelo menos uma década.

Mas há pesquisas que têm acalmado os corações aflitos das adeptas da maternidade tardia. Alguns estudos apontam que mães que têm filhos mais velhas vivem mais, têm filhos mais altos e mais inteligentes. Outra pesquisa, publicada neste ano pelo European Journal of Developmental Psychology, afirma que a maternidade tardia pode render outros benefícios aos filhos. As vantagens, de acordo com o estudo, seriam fruto da maturidade psicológica das mães. À medida que envelhecem, as mulheres estão menos propensas a disciplinar fisicamente os filhos, diferentemente do que fazem as mães mais jovens.

Uma análise sobre a maturidade e a maternidade tardia

A maturidade é o reflexo de um conjunto de condições que um sujeito apresenta em um dado momento de sua vida: condições físicas, sociais, psicológicas, relacionais etc. Todo esse conjunto não precisa necessariamente estar harmônico, mas sim funcionar de forma a proporcionar um estado de consciência de si e, por conseguinte, um reconhecimento do seu crescimento psíquico.

Muitos psicanalistas, principalmente os de origem Inglesa, apoiam essa tese de que as confluências para o amadurecimento psicológico estão associadas principalmente na forma como se dá o crescimento e o amadurecimento de nossas experiências emocionais. Um interessante exemplo desse processo está no estudo publicado pelo European Journal of Developmental Psychology, mencionado anteriormente.

Segundo o estudo, filhos frutos de gestações tardias tendem a desenvolver menos problemas comportamentais, sociais e emocionais desde o nascimento até a adolescência. Além disso, observou-se também que as habilidades de linguagem, comunicação e desenvolvimento social das crianças foram melhorando de acordo com o avanço da idade das mulheres que optam pela maternidade tardia.

Para além das constatações científicas que corroboram com muitas das observações vividas em consultório, é inevitável constatar que nossa capacidade para escolhas está fortemente vinculada com nossa forma de pensar os principais dilemas e conflitos vividos em cada momento da vida. Pensar é um trabalho que envolve reflexão, avaliação emocional dos efeitos do que está se vivendo e um trabalho constante de significação e ressignificação do sentido de cada vivência.

Constatar que a opção destas mulheres pela maternidade tardia possa estar relacionada com um bom desenvolvimento de seus filhos nos faz ampliar ainda mais o foco para a questão do quanto é preciso um profundo e expressivo contato com nossos projetos de vida, para que possa ser feito exatamente aquilo que se deseja com ele.

Outro ponto que o resultado do estudo pode suscitar é o quanto a mulher de hoje encontrou na maternidade uma experiência de encontro com seu mais íntimo desejo materno, principalmente porque esta mulher ampliou ainda mais seus repertórios de vida, elencou novos projetos e passou a fazer valer o desejo de realizá-los.

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo/Psicanalista - Ciclos Espaço Terapêntico

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