O vazio da maturidade


Nos dias de hoje, encontramos várias formas de tratamento para o sofrimento psicológico. O que todos buscamos, na verdade, é dar conta de algo intrínseco a toda natureza humana: a angústia.

De fato, a angústia nos remete a momentos, muitas vezes, de profundo vazio. Evidentemente, nossa tendência natural é buscar, por meio de nossas formas de inquietude, de pensamentos, de comportamentos e ansiedades diversas, respostas que possam, se não amenizar, pelo menos manter a angústia “estacionada”.

Essa característica fica muito marcante na maturidade, período em que as conquistas se solidificaram, as fantasias da juventude se aquietaram e a família se tornou um núcleo em franco andamento.

Se antes a preocupação era com o progresso da carreira, com a busca da alma gêmea, com a compra da casa própria, com o casamento, com a ansiedade do nascimento do primeiro filho, com a chegada do segundo filho, com a faculdade do caçula, com o casamento do primogênito, com a saúde do netinho, agora, diante de todos os sonhos realizados, o que mais esperar da vida?

Nesse período, existe um tipo marcante de vazio, aquele que considero ser o mais perigoso: um vazio que ilusoriamente acreditamos já ter preenchido seus espaços. Ora nos sentimos satisfeitos, felizes e orgulhosos, ora nos sentimos frustrados, ressentidos ou, até mesmo, culpados. Quando somos golpeados por esses afetos negativos, imediatamente tentamos formas de preencher o vazio, buscando evitá-lo de alguma maneira.

É um estado diferente de quando somos jovens, época em que vivemos as intensidades da vida sem buscar estratégias tão complexas assim. Contudo, quando a maturidade chega com suas escolhas e consequências, a dimensão da angústia se torna mais presente em nossas vidas. Todos esses sentimentos são reflexos das nossas rotineiras tentativas de dar conta de algo profundo e que não nos dá sinal algum de uma resposta clara sobre sua origem.

Ter concretizado todos os sonhos não significa que é hora de “estacionar” na vida como se o caminho já tivesse sido todo percorrido. Novos objetivos devem ser traçados e novas metas devem ser estabelecidas, pois novos destinos nos aguardam. Precisamos apenas estar dispostos a fazer novas escolhas e a lidar com as consequências, como sempre fizemos enquanto os sonhos fervilhavam.

Não importa se os desejos parecerem simples para você ou aos olhos dos outros. Exemplos? Aprender a nadar, a tocar um instrumento, a usar um computador ou smartphone, fazer um curso de teatro ou frequentar um curso de inglês, de francês ou de espanhol, conhecer um outro país, casar-se pela segunda ou pela terceira vez...

É sinal de maturidade e, ao mesmo tempo, de profunda jovialidade aprender a conviver e a tolerar as angústias que surgirem nesse período da vida. Buscar a satisfação e o prazer de viver deve fazer parte do nosso cotidiano, mesmo cientes de que, em algum momento, podemos nos angustiar.

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo/Psicanalista - Ciclos Espaço Terapêutico

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