Quando a desobediência e o comportamento inadequado da criança são causados por um transtorno?

Todos nós já presenciamos crianças fazendo birras, batendo o pé diante de determinados limites e desacatando adultos. Muitos pais chegam a pensar: "ele tem gênio forte" ou "ele sabe o que quer", como se estas frases tornassem tal comportamento algo bom e com um "lindo futuro". No entanto, não é bem assim a realidade e não é isso que devemos pensar.

 

Sugiro três perguntas nesta ocasião:

1- "Meu filho está sendo mal educado?"

2- "Eu não sei impor limites para que ele me respeite?" 

3- "Será que ele possui um Transtorno Opositor Desafiador?"

 

Precisamos responder as duas primeiras perguntas com muita sinceridade para que possamos, a seguir, pensar na possibilidade de um transtorno.

 

Na primeira questão ("Meu filho está sendo mal educado?"), acredito que vale a pena refletir sobre pequenas coisas que são importantes para desenvolver uma criança educada:

. Estou dedicando tempo com qualidade ao meu filho?

. Tenho delegado a educação dele a alguém que não a faz como eu gostaria?

. Ele sabe com clareza o que espero dele enquanto pessoa e também em relação às regras da casa e às regras sociais?

. Tenho elogiado e reconhecido o que ele é e seus bons comportamentos?

. Eu me sento com ele para conversar e explicar quando ele não tem boas atitudes ou desrespeita alguma regra? Dou a ele alternativas de como agir numa próxima situação ao invés de apenas puni-lo? 

 

Precisamos nos lembrar de que a criança não se educa sozinha. A boa educação se constrói com a mediação e a participação ativa dos pais nesses momentos.

 

Na segunda questão ("Eu não sei impor limites para que ele me respeite?"), como saber se os comportamentos inadequados do seu filho estão relacionados a uma dificuldade sua (como pai ou como mãe) de impor limites? Por exemplo, uma criança que não tem os limites preestabelecidos pelos pais é aquela que, em vários momentos, tem permissão para decidir sobre questões que não lhe competem enquanto "criança".

 

É importante salientar que a criança não deve decidir qual é o horário que considera melhor para comer ou tomar banho, se deve ou não ir para escola naquele dia [sim, alguns pais permitem essa decisão à criança!], se a família vai almoçar neste ou naquele restaurante, se a mãe pode ou não se sentar para ler um livro em determinado horário e tantas outras coisas que vemos por aí...

 

São decisões simples do dia-a-dia, que, às vezes, pensamos não ter problema algum se forem tomadas por uma criança, não é mesmo? Até que chega o dia em que ela não apenas faz escolhas mas também começa a determinar toda a rotina da família. Então, se é contrariada, chega a ser agressiva, o que faz com que, muitas vezes, os pais acabem cedendo para acalma-la, o que, na verdade, só intensifica o problema.

 

Tais situações mostram que alguns pais têm precisado se reestruturar enquanto "pais" para conseguirem retomar as rédeas da educação do filho. Nesse caso, se for difícil entender por onde começar, vale a pena procurar um profissional para receber orientações e direcionamento adequado.

 

Por fim, vem a terceira questão: "Será que ele possui um Transtorno Opositor Desafiador?" Bem, se você não se identifica com os exemplos acima, já estabeleceu por diversas vezes os limites ao seu filho e, mesmo assim, ele tende a desafiar você, os professores e demais adultos de seu convívio, e com frequência, é necessária uma avaliação psicológica. Pode ser realizada uma avaliação com enfoque comportamental  e, se preciso for, pode ser feita uma avaliação neuropsicológica também, esta última, em casos em que a criança apresenta dificuldade escolar associada. O objetivo é investigar se os comportamentos da criança podem fazer parte de um Transtorno Opositor Desafiador (TOD).

 

O Transtorno está descrito entre os Transtornos de Comportamento Disruptivo e se caracteriza por um padrão recorrente de comportamento pessimista, desafiador, desobediente e hostil diante de figuras de autoridade. No CID 10 (Classificação Internacional de Doenças), o TOD está entre os transtornos de conduta, divergindo apenas por não revelar atos antissociais ou agressivos mais graves. Geralmente, notamos os sintomas logo na primeira infância (até os 5 anos de vida), sendo mais prevalente e visível por volta dos 9 e 10 anos, pois, sem o tratamento adequado, tende a se agravar com o tempo.

 

Após o fechamento do diagnóstico, o tratamento indicado geralmente envolve orientações psicológicas frequentes à família e à escola, adaptação de ambientes e rotinas, em determinados casos, e psicoterapia intensiva com enfoque na aprendizagem de comportamentos adequados e na diminuição de atitude opositora desafiante.

 

Gabrielly de Andrade França 

Psicóloga Clínica/Especialista em Neuropsicologia Aplicada à Neurologia Infantil – Ciclos Espaço Terapêutico

 

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