A vida só vale a pena nos finais de semana?

 

De certa forma, tentamos contar e dominar ilusioriamente o tempo conforme a urgência dos nossos compromissos. Se há algo prazeroso a ser vivido, queremos que o tempo corra a nosso favor. Mas se há algo ruim, desagradável ou mesmo extremamente dificil para ser resolvido, o ideal seria que o tempo parasse.

 

Assim é organizada a rotina. Planejamos as tarefas, priorizamos suas importâncias e buscamos espaços nas agendas para que tudo possa se encaixar conforme o planejado. O dia a dia funciona como uma banda de música: os instrumentos precisam estar afinados para que a música possa ser tocada com ritmo e harmonia e, principalmente, para que as pessoas possam, ao final da canção, aplaudir o espetáculo.

 

Nas contas do nosso calendário, os dias funcionam como chances que o tempo nos ofecere de transformar o que planejamos em ações. Em cada oportunidade dessas, projetamos todas as expectativas, tensões, ideias, sentimentos, enfim, toda nossa subjetividade. Temos o objetivo, na maioria das vezes obcecado, de realizar tudo o que foi planejado ou, pelo menos, almejado.

 

Mas é claro que jamais conseguiremos atingir esse ideal. Afinal, mesmo que o calendário com os dias da semana fique sempre colado na porta da geladeira, o tempo do nosso psiquismo é mais lógico do que cronológico, e a lógica pela qual somos regidos é a do desejo.

 

Faca de dois gumes, o desejo, em tese, pede para ser realizado. É uma substância que nos habita e, ao mesmo tempo, nos coloca frente ao prazer. É o desejo que nos coloca em verdadeiras encruzilhadas, pois, mesmo diante de tantos roteiros e afazeres da vida, dar espaço e vazão ao prazer requer boas doses de maturidade.

 

Contudo, é preciso aprender a lidar melhor com o trajeto até o prazer do que com seu destino. Com muita frequência, essa imaturidade é observada nos excessos cometidos aos finais de semana. É como um ritual de alívio e descarga de energia psíquica.

 

Chegada a sexta feira (o famoso sextou!), os comportamentos mudam e a atmosfera da vida social também. Tudo se torna intenso e apaixonante até a chegada da noite de domingo, quando novamente reprimimos as tensões, reorganizamos os sentimentos de culpa e nos praparamos para, repetidamente, montar o quebra cabeça das agendas e calendários.

 

Por que começar o que verdadeiramente desejamos sempre nas segundas-feiras? Ou em um primeiro de Janeiro? Viver cada dia é a oportunidade de captar nossas experiências mais significativas e profundas, segurá-las firmemente com as duas mãos e não deixá-las nunca mais escapar de nossas vidas, mesmo que diários, agendas e calendários insistam no contrário.

 

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca

Psicólogo Clínico/Psicanalista – Ciclos Espaço Terapêutico

 

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